O Espiritismo - Uma Breve explicação

Jesus - O Amor

“A manjedoura marcaria o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade é a chave de todas as virtudes” (Emmanuel, l939, p.105). A humildade nos predispõe ao entendimento e ao cumprimento das leis superiores. “Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade Terrestre. Jesus, com Sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações”(idem). Jamais alguém exemplificara tanto e de forma tão completa o amor. O calvário selaria o trabalho do Mestre, o supremo testemunho de humildade, amor e sabedoria.

O povo judeu, que estava sob o domínio romano na época de Jesus, teve grande dificuldade de entender a libertação que o Mestre propunha. Queriam um salvador político, que viesse, em sua glória, submeter Roma à superioridade de Israel. Quando Jesus, cercado de meretrizes, enfermos e desvalidos da sorte, declarou Sua missão messiânica, poucos deram a atenção devida. Muitos o tinham como mais um dentre as dezenas de visionários e falsos profetas da época. Não conseguiam entender o valor da libertação do espírito, muito mais importante que a própria liberdade material.

O Império Romano impusera o grego popular, chamado koiné, e o latim, como línguas comuns na Ásia Menor. Estabelecera também sua organização imperial no seio do povo de Israel, mas não fizera o mesmo com a religião do império. Roma dava liberdade de culto aos judeus, muitos deles ortodoxos no que se referia às questões de fé.

Se os romanos não eram problema de relevo na questão da fé, o Mestre Jesus feria em muito os interesses dos ilustres de Israel. Quando os homens dos poderes político e religioso notaram que Jesus, de fato, operava maravilhas, fazia grandes sinais, que era respeitado por muitos e que não compactuava com exterioridades que premiavam as aparências em detrimento do fator moral, as forças instituídas de Sua época consideraram-no uma ameaça. Os fariseus diziam que Ele se opunha a Moisés. Sua vida era perigo palpável para o interesse de muitos.

Na verdade, no que tange às regras mosaicas, humanas, Jesus as alterou profundamente. Ele mudou muito do que Moisés havia proposto, para que elas se moldassem mais ao cumprimento das Leis Divinas. No evangelho de João (cap. 8, v. 3 a 11), quando o povo, acostumado a atender à lei de Moisés de forma cega, estava para apedrejar a mulher adúltera, Jesus conclamou todos para uma auto-análise, para uma reflexão. Queria que não mais nos utilizássemos das leis, mecanicamente, mas que usássemos nossa própria consciência, como farol a iluminar nossas ações: “Aquele dentre vós que está sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”. Colocou, portanto, o comando de nossas vidas em nossas próprias mãos, frente às leis de Deus que estão em nós. Além disso, matando a mulher, como ficaria essa atitude ante o “não mateis” dos dez mandamentos? Se Jesus propôs outra postura, era porque chegava a hora de lições mais profundas.

Concluímos, assim, que, de fato, Jesus dava continuidade a um processo didático. Esse processo estava de acordo com o nível de maturidade de certos seguimentos da sociedade humana. Eles se mostravam prontos para captar maiores sutilezas no campo das verdades eternas, compreendendo que Jesus vinha dar a verdadeira execução à lei: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir , mas cumprir”. (Jesus. Mateus cap.5, v.17).

Com Moisés, os judeus aprenderam a primeira revelação: a Justiça, as noções de moral ou ética superior. A segunda revelação, o Amor, a vivência da ei, veio na figura de Jesus. O Mestre nos ensina não só a reconhecer os erros e acertos, mas também a nos renovar diante do reconhecimento deles; a não condenar o pecador, mas a reabilitá-lo, amando-o cada vez mais. Essa a vontade do Pai.

Ainda sobre Jesus, veremos que o título de Mestre dos mestres é plenamente justificável para Ele. Sua postura diferia de tudo o que havíamos conhecido até então. Sua inteligência é multiforme. Ele mostra, por exemplo, a necessidade da reflexão, da meditação, numa conduta genuinamente oriental. Sai, porém, de seu recolhimento, vai a campo transformar o mundo com Suas próprias mãos: curar, ensinar, alimentar, abençoar; numa atitude pragmática, de teor ocidental. Une, dessa forma, o que hoje os neurofisiologistas chamam de atitudes inerentes aos hemisférios esquerdo e direito do cérebro, postura ocidental e oriental, yin e yang (na tradição do Taoísmo); intuitivo e racional. O Cristo é o alfa e o ômega.

Jesus não deixa nada escrito, talvez para não nos atermos somente a especulações filosófico-religiosas, mas para nos enviar a mensagem de que é possível viver verdadeiramente o amor. E, como aconteceu com Jesus, qualquer pessoa que se tornar um exemplo de virtude poderá sofrer o opróbrio humano. Ele foi perseguido e sacrificado em nome das conveniência humanas.